O impacto das novas tecnologias na geopolítica mundial do século XXI
Especialistas alertam que a corrida pela inteligência artificial está redesenhando as fronteiras invisíveis do poder econômico e militar entre as nações.

A disputa por supremacia em inteligência artificial deixou de ser assunto exclusivo do Vale do Silício. Governos ao redor do mundo tratam agora o desenvolvimento de modelos avançados como uma questão de segurança nacional, comparável ao domínio nuclear no século passado.
Segundo relatório do think tank internacional Global Policy Forum, mais de 40 países aprovaram, apenas nos últimos dois anos, legislações que restringem a exportação de semicondutores de última geração ou a colaboração acadêmica em áreas sensíveis.
"Estamos vivendo uma nova versão da Guerra Fria, mas o urânio agora se chama silício."
— Diretor do Global Policy Forum
O papel do Brasil
O Brasil, historicamente ausente do topo dessa cadeia produtiva, começa a articular uma estratégia soberana de IA que envolve universidades federais, o BNDES e um consórcio de empresas nacionais. A proposta prevê um investimento de R$ 23 bilhões em cinco anos.
Analistas ouvidos pela reportagem afirmam que, sem uma política industrial firme, o país corre o risco de se tornar mero consumidor de tecnologia produzida por potências estrangeiras — repetindo o padrão observado na indústria de software nos anos 1990.


